Dicas de livros e filmes

Indico as nossas revistas, a recém lançada Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea e a revista dos estudantes, Pólemos, que em seu último número traz um dossiê de ensino de filosofia e uma entrevista com Zizek, volume muito importante pela confluência tensa entre pensamentos contemporâneos, notadamente sobre a questão da noção de “Europa”.

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Indicação de livros para o aprofundamento de discussões em sala de aula 

Filosofia para o Ensino Médio de Maria Luiza Silveira Teles

De maneira agradável e leve, a autora conta uma história que prende o educando, colocando-o ansioso para ir adiante. Propõem exercícios, debates, júris simulados, dinâmicas, enfim, formas agradáveis de desenvolver o raciocínio de forma lúdica. De maneira gradual e atraente vai expandindo o raciocínio do educando. Além disso, preocupa-se com um fator desagregador de personalidades e culturas: a falta de ética. Assim, através do instrumental adequado, a obra procura, também, resgatar valores seculares que podem tornar o ser humano melhor e mais justo.

1984 de George Orwell

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Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que ‘só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade – só o poder pelo poder, poder puro. Numa sociedade do futuro, o controle sobre o pensamento é feito por meio do repertório de palavras que cada indivíduo possa usar.

O que é Linguística? de Eni Pulcinelli Orlandi

“O Que É Linguística” de Eni Pulcinelli Orlandi fala sobre a lingüística distinguindo-a da gramática tradicional e normativa. Só há a possibilidade de existência de um mundo se for dentro da linguagem. O estudo da lingüística não se interessa por qualquer espécie de linguagem: só a linguagem verbal, oral ou escrita. Os sinais que o homem produz quando escreve são chamados de signos, e ao produzí-los os homens produzem a prória vida, e os signos da linguagem verbal têm uma importância tão grande para a humanidade que têm uma ciência para si: a linguística. Uma introdução ao estudo da problemática da língua e da linguística como ciência no século XX.

O que é Cultura Popular de Antonio Augusto Arantes
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Carnaval? Vatapá? Seresta? Folheto de Cordel? Broa de Milho? Afinal, o que é cultura popular? Embora nos ensinem a ter um modo de vida refinado, civilizado e eficiente – ‘culto’- , não conseguimos evitar que práticas ‘populares’ pontilhem nosso cotidiano. Qual a influência dessas práticas sobre nosso procedimento e cultura? Quais as condições para se transformar cultura ‘pura’ em cultura ‘popular’?

Uma reflexão introdutória sobra à cultura, centrada na questão da cultura popular.

 

Apresentando Nietzsche de Laurence Gane

Introduzir temas de grandes autores e importantes movimentos sócio-político-culturais através da união entre literatura e quadrinhos. Esta é a proposta da coleção Apresentando, que tem como volume inicial Nietzsche, o filósofo que antecipou o existencialismo, a psicanálise, a semiótica e o pós-modernismo. Um livro que reflete, com extremo bom humor, a diversidade e a profundidade de um dos grandes pensadores do século XIX. Os principais elementos do pensamento de Nietzsche são expostos em linguagem clara e direta, com ilustrações que ajudam a compreender as ideias desse pensador.

ensaio-sobre-a-cegueira2Ensaio sobre a cegueira de José Saramago

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma ‘treva branca’ que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.’O Ensaio sobre a cegueira’ é a fantasia de um autor que nos faz lembrar ‘a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam’. José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio. Numa cidade em que todas as pessoas ficam cegas, como elas passam a agir? Uma reflexão sobre a mudança dos valores na luta pela sobrevivência.

 

O iluminismo e os reis filósofos de Luis Roberto Salinas Fortes

No século XVIII – em 1789, precisamente – foi proclamada em Paris a primeira “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” da história. Se isso foi possível, foi porque houve, antes, uma mutação cultural: o “Iluminismo”, também chamado “Filosofia das Luzes” ou ainda filosofia da “Ilustração”. O que significou este movimento de idéias prodigioso, que acreditava profundamente na Razão humana e nos seus poderes? O livro oferece, em linguagem acessível, um panorama do movimento iluminista e de sua relação com a política.

O Senhor das Moscas de William Golding

OSenhorDasMoscasLivroDurante a Segunda Guerra Mundial, um avião cai numa ilha deserta, e seus únicos sobreviventes são um grupo de meninos em idade escolar. Eles descobrem os encantos desse refúgio tropical e, liderados por Ralph, procuram se organizar enquanto esperam um possível resgate. Mas aos poucos — e por seus próprios desígnios — esses garotos aparentemente inocentes transformam a ilha numa visceral disputa pelo poder, e sua selvageria rasga a fina superfície da civilidade, que mantinham como uma lembrança remota da vida em sociedade. Ao narrar a história de meninos perdidos numa ilha paradisíaca, aos poucos se deixando levar pela barbárie, Golding constrói uma história eletrizante, ao mesmo tempo uma reflexão sobre a natureza do mal e a tênue linha entre o poder e a violência desmedida. Um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano. Interessante fábula política sobre um grupo de crianças que, sozinhas numa ilha deserta, precisam organizar-se e constituir uma sociedade.

Regimes Políticos de Jayme Brenner

Esta coleção foi especialmente criada para aprofundar aquele ponto do programa que está muito condensado, pouco explorado. Temas polêmicos e atuais ficam fáceis de assimilar, pois são abordados de forma direta e atraente. A linguagem recebeu um tratamento especial, para estabelecer familiaridade com o leitor e facilitar o entendimento do assunto. Uma explicação sobre os principais regimes políticos, desde os mais clássicos até os contemporâneos. Temas como democracia, socialismo, liberalismo, fascismo são tratados de forma simples e acessível.

A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery

12538 - Elegancia do ouricoÀ primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A ‘Elegância do Ouriço’, seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor
extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

Uma série de reflexões sobre a vida e a morte, tendo como protagonista uma adolescente de 11 anos que decide se suicidar n final do ano letivo.


A Morte da natureza de Whitley Strieber e James Kunetka

Apenas quarenta anos separam a nossa realidade daquela descrita pelos autores neste livro, que é um romance assustador sobre um mundo que pode culminar no extermínio total do meio ambiente. Romance de Ficção Científica sobre uma crise ecológica que pode significar o extermínio da natureza. Enseja uma reflexão sobre aquilo que o ser humano está fazendo com sua espécie e com o planeta.

O processo de Kafka

capa-o-processoRomance publicado em 1925, narra o percurso de Josef K. pelas instâncias de um processo em que é réu, mas cujo teor ele desconhece. O protagonista se vê repentinamente implicado num emaranhado burocrático irresistível que o leva a refletir sobre o sentido da própria existência, a arbitrariedade e a morte.

Toda a obra de Kafka pode ser lida como uma metáfora das relações de poder. Neste Romance talvez esteja sua expressão mais direta, quando um indivíduo é processado pelo Estado sem conseguir compreender o motivo.


O que é participação política? de Dalmo de Abreu Dallari

Os problemas políticos como problemas de todas as pessoas, a participação política enquanto direito e dever de todos. A participação política: instrumento fundamental para a construção de uma nova e mais humana sociedade. Uma discussão em linguagem acessível sobre os fundamentos da política e a necessidade de uma efetiva participação popular para a construção de um regime democrático.

É isto um homem? de Primo Levi

82367‘É isto um homem?’ é um libelo contra a morte moral do indivíduo. No livro, o escritor e químico italiano Primo Levi relembra seu sofrimento num campo de extermínio, sem, contudo, invocar qualquer resquício de autopiedade ou vingança. Deportado para Auschwitz em 1944, entre outros 650 judeus italianos, Levi foi um dos poucos que sobreviveram, retornando à Itália em 1945.

Um dos mais conhecidos relatos da vida em um campo de concentração nazista.

 

O que é Ética? de Álvaro L.M. Valls

Não existe povo ou lugar que não tenha noções de bem e mal, de certo e errado. Da Grécia Antiga aos nossos dias, a ética é um conceito que sempre esteve presente em todas as sociedades. Mas apesar disso, as dúvidas são muitas. Seria a ética apenas um conjunto de convenções sociais? Teria ela um princípio supremo que atravessa toda a história da humanidade? E numa sociedade capitalista, qual a relação entre ética e lucro? Uma exposição em torno de alguns dos principais temas da ética. Inclui uma série de indicações de leitura para o aprofundamento do tema.

Sem logo: a tirania das marcas em um planeta vendido de Naomi Klein

sem logoLogotipos e marcas são o que temos mais próximo de uma linguagem internacional: a maior parte dos seis bilhões de habitantes da Terra pode identificar o símbolo do McDonald’s ou da Coca-Cola. Em Sem logo Naomi Klein constrói formulações reveladoras sobre o reino das marcas: aponta os efeitos negativos do marketing na cultura, no trabalho e nas escolhas do consumidor, mostrando como multinacionais convertem o mundo em uma oportunidade de mercado.

Neste livro, Naomi Klein nos mostra os efeitos que o Marketing de companhias multinacionais tem na cultura, no trabalho e na educação.


Filmes

A Sociedade dos Poetas Mortos (1989) | Peter Weir21013221_20130617200543616

Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno se torna o novo professor de literatura. Porém, ele propõe métodos de ensino que incentivam seus alunos a pensarem por si mesmos e apresenta aos alunos a Sociedade dos Poetas Mortos. Isto acaba criando um conflito entre os diretores que ainda pregam o método antigo e conservador. “Quando você pensa que conhece alguma coisa, você tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça bobo ou errado, você deve tentar! ”

 O Show de Truman (1998, Peter Weir)

Truman Burbank é uma pessoa normal como todas as outras. Porém, faz parte de um reality show, ou seja, desde que nasceu vive em uma cidade completamente projetada para ele, onde seus movimentos são monitorados 24 horas por dia e transmitidos para todo o mundo. “Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes. ”

A ilha (2005, Michael Bay)1845738375_small_1

No futuro existe uma entidade utópica baseada na vida do século XX!, que procura recriá-la nos mínimos detalhes. Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) vive nesta realidade e, como todos seus residentes, sonha em chegar em um local chamado “a ilha”, o único ponto não contaminado do planeta. Após descobrir que todos os habitantes são clones, que possuem a única finalidade de fornecer partes de seu corpo para seres humanos reais, Lincoln decide escapar juntamente com Jordan Two Delta (Scarlett Johansson). “O que fazemos aqui, afinal? (…). Nunca se pergunta nada? ”

Matrix (1999, Lana Wachowski, Andy Wachowski)

Um jovem programador é atormentado por estranhos pesadelos nos quais sempre está conectado por cabos a um imenso sistema de computadores do futuro. À medida que o sonho se repete, ele começa a levantar dúvidas sobre a realidade. E quando encontra os misteriosos Morpheus e Trinity, ele descobre que é vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas e cria a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia.

“Você precisa entender, a maioria destas pessoas não está preparada para despertar. E muitas delas estão tão inertes, tão desesperadamente dependentes do sistema, que irão lutar para protegê-lo. ”

Quando Nietzsche Chorou (1992,  Irvin D. Yalom)quando-nietzsche-chorou

Encontro fictício entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer. A pedido de uma amiga de Nietzsche, preocupada com suas tendências suicidas, Breuer concorda em tratá-lo através da embrionária técnica de psicanálise sem que ele saiba.

“E se um demônio lhe dissesse que esta vida da forma como vive e viveu no passado você teria de vivê-la de novo. Porém inúmeras vezes mais e não haverá nada novo nela. Cada dor, cada alegria, cada coisa minúscula ou grandiosa retornaria para você mesmo. A mesma sucessão, a mesma sequência, várias e várias vezes como uma ampulheta do tempo. Imagine o infinito! Considere a possibilidade de que cada ato que você escolher Josef, você escolherá para sempre! Então toda vida não vivida permaneceria dentro de você! Não vivida… por toda a eternidade! ”

V de Vingança (2005, James McTeigue)

Após uma guerra mundial, a Inglaterra é ocupada por um governo fascista e vive sob um regime totalitário. Na luta pela liberdade, um vigilante, conhecido apenas por V, utiliza-se de táticas terroristas para enfrentar os opressores da sociedade. V salva uma jovem chamada Evey da polícia secreta e encontra nela uma nova aliada em busca da liberdade e justiça para o seu país.

“O povo não tem que temer seu governo, o governo é que tem que temer seu povo. ”

A Onda (2009, Dennis Gansel)A.Onda_

A Onda é um filme intrigante para trabalhar questões contemporâneas sobre educação, filosofia e política. Foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Antes de virar filme, foi romanceado em livro. Há duas versões deste acontecimento: uma versão norte-americana, lançada em 1981, e uma alemã, lançada em 2008. Ambas contam a mesma história com poucas diferenças.

O filme norte-americano tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio praticado pelos nazistas. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade” e um símbolo gráfico para representar “A onda”. O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo da “A onda”, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar. O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.

“Creio que autocracia seja quando um indivíduo ou um grupo dominam sobre uma massa.”

Quanto Vale ou é Por Quilo? (2005, Sérgio Bianchi)

O filme Quanto Vale ou é por Quilo? Retrata bem a realidade brasileira, fazendo uma analogia do tempo de escravidão com os tempos atuais. Ao logo do filme é notável a preocupação em mostrar o quanto a desigualdade, a corrupção, a falta de oportunidade e a sede pelo poder sempre estiveram presentes no país e o quanto estes elementos podem afetar o desenvolvimento do mesmo.

O filme retrata claramente que o estudo da história é imprescindível para se conhecer e analisar de forma crítica a situação em que o país se encontra. Os fatos apresentados e as histórias vividas pelas personagens chocam o público que assiste e se depara com uma realidade crua. As pessoas compreendem ao decorrer do filme todo o marketing, a troca de favores que está por trás de campanhas solidárias e das empresas que gerenciam a miséria e os miseráveis, a corrupção, a falta de respeito com os direitos do próximo, a violência e etc. Isto evidencia o quanto, ainda se vive a mercê do capitalismo exacerbado, o quanto milhões de pessoas são prejudicadas e sofrem nesta sociedade que visa a cada dia mais o lucro. Isto não era diferente no período colonial. O que se faz perceber que o Brasil em toda sua história é manchado pelo desrespeito com a população menos favorecida.

As ONGs que deveriam funcionar como instituições de benefício ao próximo, ajudam em maior número os seus diretores e responsáveis, que ficam com a maior parcela do dinheiro que é arrecadado em campanhas ou repassado pelo governo. É chocante e ao mesmo tempo natural, uma vez que isto se vê todos os dias nos jornais e muitos dos que cometem estes crimes ficam impunes, fazem uma queima de arquivo e convivem em sociedade como se fossem pessoas honestas e normais.

Portanto, o filme é de contundente importância, mostra a realidade em sua mais pura forma. O mesmo faz-se refletir sobre a desigualdade, os direitos e principalmente sobre as faces do capitalismo. Isto cria uma necessidade de produzir elementos, projetos e políticas públicas que erradiquem a corrupção e a desigualdade social que assola o país, privilegiando, assim a inclusão, os direitos do cidadão e mudando a realidade, que é pregada firmemente no filme. “A minha violência está nos meus papéis… Nos meus direitos”.

Um Passo Para a Liberdade (1996)c633c878d2454a885b35ecccc4347799

Numa época em que a lei proibia a alfabetização dos escravos, a menina Sarny sonha poder ler e escrever. E está prestes a realizar seu sonho, quando chega à fazenda o escravo alfabetizado Night, que promete ensinar-lhe o alfabeto. Mas a busca pelo saber pode custar caro a professor e pupila. O filme é muito bom para pensar sobre a importância de saber ler, para assim poder conhecer muito mais do que se ouve e se libertar da ignorância, o conhecimento é poder.

Quem somos nós? (2004, William Arntz, Betsy Chasse, Mark Vicente)

Amanda (Marlee Matlin) está numa fantástica experiência ao estilo “Alice no País das Maravilhas” enquanto seu monótono cotidiano começa a se desmanchar. Esta situação revela o incerto mundo escondido por trás daquilo que se costuma considerar realidade. Amanda mergulha num turbilhão de ocorrências caóticas que revelam um profundo e oculto conhecimento do real. Ela entra em crise e questiona o sentido da existência humana.

“Como podemos continuar a ver o mundo como real se nosso ser que determina ele como real é intangível? Todas as realidades existem simultaneamente? Há a possibilidade de que todas as verdades existam lado a lado? ”

Sócrates (1971, Roberto Rossellini) socrates-ross

 Depois que os Atenienses caíram sobre o governo da Tirania dos Trinta, a vida dos cidadãos não era mais segura. O filósofo Sócrates, entretanto, continua a sua pregação filosófica, aglomerando mais e mais jovens discípulos. Dentre eles está Platão, que anotou os discursos de seu mestre, sem saber sobre o conflito e o que aparentemente parecia tão real para ser considerado um princípio. A juventude de Atenas gostava de Sócrates, embora os conservadores, como o comediante Aristófanes, o ridicularizavam, acreditando que ele era um dos sofistas.

Quando Sócrates afirmou ter recebido uma visão dos deuses no Oráculo de Delfos, os seus conspiradores o acusaram na corte, argumentando que as suas pregações eram malucas doutrinas para a juventude, e que ele não acreditava nos deuses, mas nos demônios. Sócrates deu uma explicação, mas os cidadãos estavam contra ele. Então, Sócrates foi sentenciado à morte, e foi mantido na prisão, aguardando pela execução. Seus discípulos estavam desesperados, e um deles, Crito, tentou ajudá-lo, encorajando-o a fugir. Sócrates rejeitou a ideia, falando que ele deveria obedecer aos governantes da cidade. Ele então, decidiu morrer, e morreu o mais rápido que pôde, forçado a beber cicuta.

Além Do Bem E Do Mal (1977)

O título do filme é também da obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Inspirado na história ocorrida entre Nietzsche, Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, em que eles tentam a construção de um triângulo amoroso na Roma do século XIX. Em 1882, em um hotel na Piazza della Minerva, Paul Rée deixa seu amigo Fritz (Friedrich Nietzsche) entre prostitutas e ópio para ir a uma festa onde conhece Lou Andreas-Salomé, uma jovem russo-judaica. O rapaz decide se casar com ela para esquecer Fritz, mas Lou é uma mulher que precisa de liberdade acima de tudo. Assim começa um triângulo amoroso entre os três, o que desperta a indignação de Elisabeth, irmã de Friedrich, e que é apaixonada por seu irmão. A interpretação de algumas ideias de Nietzsche, são transpostas visualmente na tentativa de fazê-las compreensíveis e atraentes. A ideia nietzschiana do mundo dionisíaco se mostra em diferentes envolvimentos sexuais.

Descartes (1974, Roberto Rossellini)descartes_rossellini

Descartes (1974), filósofo antecessor de Blaise Pascal na afirmação da racionalidade e do método científico.Rossellini extrai trechos inteiros de algumas das obras fundamentais do pensador, como O Discurso do Método (1637) e as Meditações Metafísicas (1641), para compor as ações “dramáticas” do personagem. São procedimentos teóricos de Descartes, cuja função seria fundar a autonomia do pensamento racional diante da fé. Vale dizer que, naquela época, toda démarche racionalista tinha de ser, também, uma negociação com a autoridade religiosa. Donde, nas Meditações, Descartes precisar, primeiro, ocupar-se das provas da existência de Deus, para apenas depois afirmar que o Cogito (a Razão) se sustenta por si só. “Eu sou, eu existo”, deduz, pelo simples fato de pensar. A conclusão entrou para a história do conhecimento como a frase famosa “Penso, logo existo”.

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