A pequena, mas profunda vivência que foi o PIBID para mim

Desde que me projetei a cursar Filosofia na Universidade, foi por e para Licenciatura; o POR, por ter tido professores e professoras no ensino médio de Filosofia que me abriram novas perspectivas de vida, através de debates, diálogos, projetos que me incentivaram e me cativaram a ser uma pessoa mais reflexiva diante a realidade, mais tolerante em meio à diversas pulsões, menos afoito… Mais compreensivo e mais dialogante com os outros, que são outras partes de mim. E se hoje estou na universidade cursando licenciatura em Filosofia é PARA poder cultivar essa sementinha que foi jogada naquelas aulas de filosofia no ensino médio, aquele espaço rico e diverso de trocas de vivências e saberes. O mais trágico foi: quando adentrei a universidade, senti uma distância horrenda entre as aulas de filosofia e a realidade social do nosso país. E de licenciatura, pouco se ouvia falar, quando se ouvia, era: “essas práticas pedagógicas são besteira. Vamos ler, filosofia é ler e apreender conceito”. (Práticas pedagógicas pressupõe 2 créditos dos 6 créditos das matérias obrigatórias do curso). Loucura isso, não? Um curso de licenciatura onde a licenciatura é desvalorizada. Para que serve a filosofia, pensei eu? Para me trancar num gabinete, fazer minha pesquisa isolada de todo o resto do mundo sobre coisas que não se ligam a minha realidade social e, alguns poucos privilegiados lerem aquilo que eu escrevi? Uma soberba hierarquia do saber… E fui levando o curso em frente, com algumas questões pertinentes, mas que quase nunca eram abordadas nas aulas de filosofia… até que o curso foi se tornando para mim um tanto quanto meio amorfo, morto: tantas questões de assombrosa erudição para quê? Eu me perguntava… E ainda me questiono…
Até que tive a oportunidade de integrar o PIBID, que me abriu novas perspectivas para o curso, me religando a origem do que me levou a estar cursando Filosofia: a licenciatura. Nossa, como esse projeto é maravilhoso! Tenho muito a agradecer pelos os aprendizados nos 6 meses e últimos meses do programa, que foi o período em que estive participando do projeto… até o Governo Federal decretar o seu fim _ lamentável! Como o nosso Brasil e futuros professores e professoras vão perder com isso. E não só, como Xs alunXs secundaristas vão perder com isto. Como Xs professorXs já em vigência vão perder o apoio dos pibidianXs em sala de aula, essas trocas maravilhosas entre professorXs, pibidianXs, secundaristas… E além, como a universidade perde uma janela e tanto para vislumbrar a realidade das escolas de ensino médio para enriquecer a formação em licenciatura.
O programa funcionava em duas idas semanais a escola do ensino médio onde o pibidiano era supervisionado pelo professor ou professora da escola, onde acompanhava as suas aulas, projetos, trabalhos e ainda tinha a possibilidade de criar novos projetos em parceria com a professora ou professor que o supervisionava. Além, todas as sextas, havia encontro dos pibidianos das diversas escolas de diversas regiões junto com Xs supervisorXs da universidade para compartilharmos os causos, feitios e histórias de cada escola. Além, havia diversas formações as sextas-feiras com profissionais de diferentes áreas para enriquecer nossas formações. E que formações nos deram: desde a vivência e compartilhamento com educadores em zona de cárcere de menores infratores, ou infratores em conflitos com a lei, como se preferir, a oficina de interdisciplinaridade, de transmídias como apoio para as aulas, de elaboração de oficinas, enfim… e um tanto outras que não pude vivenciar que aconteceram antes de eu adentrar o projeto… Às sextas eram encontros sempre muito produtivos, onde compartilhávamos as nossas vivências nas escolas, onde aprendíamos muito uns com os outros, sobre o que eles estavam fazendo, projetos… sobre metodologias que viam dando certo, outras não… As formações sempre muito ricas e diversas também… Abriam-se horizontes de perspectivas, metodologias, projetos para a docência…
E a partir do PIBID, pude me reconectar com os sentimentos que tive quando era secundarista e me projetava a fazer filosofia na universidade… Um sentimento de inquietação com a realidade presente, um sentimento de incompletude, mas um sentimento de vontade de fazer algo em conjunto, de indagar e questionar nossos juízos e valores sociais, de nos pensar e de nos repensar enquanto seres sociais, sujeitos agentes transformadores do nosso meio, enfim… Voltar a uma sala de aula, esse espaço de infinitas potencialidades e possibilidades no contato com outros seres diversos, me fez ter a certeza e me reafirmar enquanto estudante em formação em licenciatura em Filosofia: eu quero ser professor! Eu quero poder levar a indagação, quero levar o questionamento, as dúvidas, quero semear a esperança, o afeto entre os seres hoje tão esquecida em tempos pra lá de modernos, quero levar o choro, o riso, as lágrimas que umedecerão o chão e farão brotar sementes de coragem para encarar a vida cotidiana… Quero estar presente na sala de aula, e me refazer com os presentes do convívio diário com os outros seres, quero ouvi-los, entende-los, ajuda-los e me ajudar a compreender um pouco mais dessa vida. O PIBID para mim me fez repensar o que é filosofia… aliás, deu um sentido a ela, tão esquecida nos estudos e comentários acadêmicos da vida universitária. O PIBID me ajudou a realizar projetos pessoais com a bolsa que recebia, capacitações técnicas… O PIBID me deu ânimo de querer terminar a graduação em licenciatura em Filosofia. O PIBID me ofereceu conhecimentos únicos que levarei comigo com toda a minha vida, inclusive profissional. Ah, como era bom estar em sala de aula, com os alunos e alunas, compartilhando com eles. Como era bom acompanhar as aulas da professora Jaine, aprender com sua metodologia. Como era bom poder orientar um aluno ou aluna em seus seminários e ver os excelentes resultados. Como era bom ver a disposição daquelas meninas e meninos em aprender, em conhecer, em questionar, na descoberta do novo… E quando decidimos fazer os debates e infozines? Ah, como é bom ver o menino desacreditado se interessando no projeto. Como é bom ver as meninas engajadas por causas feministas… como foi intrigante lidar com causos que não vêm descritos em manuais…. Ah, vida! Agora, nesse instante de instabilidade fortíssimas políticas e sociais, de intervenções militares em vez de intervenções educacionais, de saúde pública, de alimentação, artísticos culturais, ecológicas, de cortes para programas sociais e de mais opressões aos marginalizados pelo sistema, sonhar fica mais difícil. Se não tivesse participado do PIBID, talvez não poderia ter sonhado mais uma vez e me dar ânimo para querer realizar o sonho de ser professor… é uma lástima grande o PIBID estar vindo a ter o seu término. Mais de 70mil bolsistas envolvidos nesse projeto incrível, transformador social de vidas… E o discurso do Governo Federal é que vai vir uma tal de ‘Residência Pedagógica’ para substituir o PIBID. Só em 2019, um tanto quanto muito abstrato. E enquanto isto, desmantelando um programa concreto que vinha dando muito certo… Êta terra Brasilis…
Quero crer, que este não seja um fim… quero crer, ainda, que possamos nos mobilizar todXs Xs envolvidos e envolvidas por esta causa e lutar por ela. Não deixar o PIBID se ir, sem nos fazermos ouvidos! Por isso, avancemos e aproximamos em nossas relações sociais de todos e todas os PIBIDIANOS e PIBIDIANAS e todos e todas que se sensibilizam com o projeto e sabe da sua real importância para um Brasil melhor. Então, além, quero crer que possamos juntXs conseguir realizar esta luta por esse projeto maravilhoso! Não deixemos essa peteca cair, sem ao menos tentar mais uma vez pôr a peteca pro ar! Pros ares de esperança, para os ares de coragem, para os ares de luta!

Igor Machado, aluno do FIL-UnB (graduando em Licenciatura), pibidiano. 18/02/2018

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Sou pibidianx, não estagiarix (Parte 1) – Sim PIBID, não Residência Pedagógica. Por que dizer não ao fim do PIBID?

    No final de 2017, foi anunciado pelo Ministério da Educação a Residência Pedagógica, novo programa para a formação de professores. Esse mesmo projeto coloca em cheque outro programa já existente, e que é motivo de debate deste blog e do próprio texto, explicitado neste exato momento: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, mais conhecido como PIBID.  Infelizmente, o governo federal já anunciou os cortes das bolsas, entretanto ainda permanecemos na luta de uma educação de qualidade para todas e todos.

   De acordo com a fundação CAPES, o novo programa de Residência Pedagógica, irá ampliar o número de vagas disponíveis para formação de professores, pois a maior crítica, referente ao PIBID, é pelo seu caráter restritivo.  A intenção é oferecer 80 mil vagas em 2018, podendo ter alunos voluntários, coisa inviável no PIBID- UnB  . Porém o questionamento maior, isso, além do pedagógico, seria a precarização pelo repasse de recursos por parte do governo federal. Se diante de tantos cortes a probabilidade de bolsas são essas, o que nos resta diante de tal afirmação? Aguardar e acreditar que perante tantos buracos, o nosso contexto educacional será esse? A resposta já é conhecida, o nosso meio acadêmico não espera e não aceita retrocessos, queremos caminhar para frente e com a garantia de melhorias para a Universidade, Professores, Comunidade, estudantes universitários e secundaritas.

   Abaixo teremos um gráfico, da própria CAPES que mostra o número de Pibidianos, acrescentando também o PIBID diversividade. O número de bolsistas ao todo é de 72.845, é menor que 80 mil vagas, porém dentro do nosso contexto de mudanças radicais no âmbito educacional, apenas nos restas dúvidas e questionamentos sobre como proceder diante de um programa de Residência Pedagógica, esse que trabalha de uma forma como estágio e não como pibid, duas coisas completamente diferentes.

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Se a intenção é tornar mais acessível a formação, logo o PIBID  que é um programa muito bem sucedido, não se tem motivos para fazer uma mudança tão radical e criar um novo programa, um menos humanizado e mais metódico, apresentando desde sua criação um caráter de tampar buracos. Já sabemos que as coisas funcionam muito mais em baixo, e por esse motivo, isso apenas iria precarizar mais a formação de docentes, convenhamos, já não basta a graduação, essa sim precisa de uma repaginada quando o assunto é licenciatura.  Não se deve negar que o PIBID tem que ampliar o número de bolsas, pois isso é inegável, porém não se há motivos benéficos  para a criação de outro projeto com essa desculpa. O PIBID já tem as paredes solidas, por que não tentar melhorar o mesmo?

A prática é sem sombra de dúvida importante, não estamos para dar ênfase ao que já é óbvio, todavia que isso é o que o próprio Governo Federal está fazendo ao defender um projeto que enfatiza a importância de certos critérios que podem aperfeiçoar o programa de iniciação a docência, porém a intenção é fazer do estágio um elemento de trabalho árduo de tapa buraco governamental, e já possuímos ciência que a proposta pedagógica de tais matérias é ensinar e garantir a vivência, não tornar o estagiário ou pibidiano um professor.

Os pibidianos se cansaram de ameaças, todo semestre era sempre a mesma dúvida: É o fim ou não? Poi bem, já sabemos que a intenção não é gerar professores com o olhar mais humano, e é sim, colocar  estudantes em escolas na intenção de uma “chamada modernização do Pibid por meio do Programa Nacional de Residência Pedagógica”, o que gera a perca de uma essência do Programa de Iniciação à Docência, que tem muitas histórias e sorrisos na sua construção, mas infelizmente isso é o de menos para o nosso governo, que é o mesmo que permite a perambulação de projetos como Escola sem Partido e a Reforma do Ensino Médio.

O PIBID testá ligado a um incentivo à formação de professores no ensino superior, o seu fim se deve por motivos mínimos, o governo federal quer dar cara nova ao que já existe, e isso não faz nenhum sentido, pois já temos a existência de um programa que busca muito além de formação de professores, mas também da geração de esperança na vida de alunos periféricos.

Os bolsistas criam outros projetos dentro do próprio programa, assim ampliam a visão de jovens secundaristas e os fazem acreditar que podem chegar em um espaço de vivência universitária também. A intenção é muito além de formar professores, e o PIBID salienta isso explicitamente. No fim de tudo somos uma grande ameaça e o presente ainda mais vivo da educação de nosso país,  a Residência Pedagógica mostra a importância de formar professores, porém não dar importância a influência desses bolsistas para os secundaristas e nem para a comunidade escolar.

Por isso seguimos na luta contra o fim do PIBID, defendemos a formação plena de professores, também destacamos que não se tem motivos plausíveis para o fim do prpgrama, e acrescentamos que o governo federal deixará diversas escolas sem a contribuição e continuação de projetos que mudaram vidas e auxiliaram na entrada de jovens secundaristas no ensino superior. A questão não é unicamente formação de professores, a proposta é muito além, e o PIBID é muito além, pois o programa tem a atitude de mostrar que não é pisar em uma escola por 400 reais, é pisar em uma escola e fazer diferença para todos, coisa que, infelizmente, um estagiário não concretiza,  e também não sabemos se a Residência Pedagógica assim fará.

 

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Foto: Visita dos Alunos do CEM 03 de  Taguatinga à Unb

Texto: Vitória Nara – Ex pibidiana do CEM 01 Paranoá e atual
pibidiana do  CEM 03 de  Taguatinga

 

P.S.: Para o texto não ficar longo, foi feita uma divisão. Esse texto está dividido em três partes, o tema principal é “Sou pibidianx, não estagiarix”, esse nome será  esclarecido na segunda parte.

Primeira parte: Sim  PIBID, não  Residência Pedagógica. Por que
dizer não ao fim do PIBID?
Segunda parte: PIBID NÃO É ESTÁGIO.
Terceira parte: Vivência e luta de uma pibidiana – Relatos de Experiência 

 

  BIBLIOGRAFIA 

http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid/relatorios-e-dados

http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8684-residencia-pedagogica-quer-universalizar-a-iniciacao-a-docencia

Nota do FORPIBID:   https://lookaside.fbsbx.com/file/Informe%2003%2018.pdf?token=AWwAR_pn5uBsEWzs-FugPvqj15g16fD0x7IExolD07GJ_Ev2n20BLdSqCChffdDz_z22P3NcQLKOZ1yotg0glSRItFTOYhOjLSS75wtpSoqQkoBaZAqfAKyP4p6_KaRHlt6_qHt1Qye6_OAwmlABK83JjmJf-9VPV8YqfKFXZwjTw

 

 

A experiência no PIBID

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) possibilitou a imersão no que é o universo da educação. Acompanhar e participar do cotidiano de uma escola ao lado de um professor e seus alunos proporcionou novas questões acerca do que é educação, o que é filosofia, o que é ser um professor, o que é ser um aluno, tipos de avaliação.

Se reunir para discutir, refletir e trocar experiência nas reuniões de sexta era um ponto guia dentro dessa vivência. As palestras e temáticas abordados ao longo do semestre nas reuniões com educadores de outras áreas e também da filosofia foram ótimas para enxergar outras perspectivas de uma mesma questão. Toda experiência e conhecimento adquiridos tornaram possível adquirir um repertório maior para lidar com as contingências em sala de aula.

Fico muito satisfeito que ao longo dessa experiência obtive uma visão mais panorâmica acerca do papel da filosofia no ensino médio, pensei metodologias e possíveis soluções para determinadas questões.

Luciano Gonçalves De Sousa, PIBID Sobradinho

Relato de experiências II

Para deixar registrado também outros eventos em que trabalhamos com formas inusitadas de exposição (modelos de oficinas), cito o texto de Benedetta Bisol e Gigliola Mendes:

Sobretudo o trabalho de [Silvio] Gallo já tinha sido utilizado como base teórica em outras oficinas desenhadas por Priscila Rufinoni e Pedro Gontijo para o seminário do PIBID UnB, em 2016, quando elaborou-se conjuntamente com os estudantes uma oficina sobre a noção de Ideologia, na qual o conceito (ou conceitos) de ideologia foram apresentados a partir de uma coletânea de materiais diversos tais como textos filosóficos conflitantes (textos de autores políticos, como Michael Löwy, de autores da teoria da ciência, como Rudolf Carnap), tirinhas e cartuns da mídia cotidiana, textos sobre a Escola sem partido, letras de música etc. A abertura da oficina, interpretando a etapa de sensibilização proposta por Gallo, foi um vídeo produzido pela aluna Michelly Teixeira, com colagens de cenas sobre os vários eixos em que a ideologia se manifesta, como a política, a ciência, a etnia, o gênero, a educação e a violência social, eixos anteriormente discutidos em grupo com os estudantes. Mas o vídeo foi apresentado sem, entretanto, explicitar a relação entre as imagens, os eixos temáticos e o conceito central norteador. Também como elemento sensibilizador, expusemos cartazes com títulos de livros, feitos pelas estudantes Maria Clara R. Rocha e Iasmin Leiros S. da Silva. Por fim, a oficina foi conduzida pelas alunas Paula Calazães, Nájila Mota e Núbia Nunes Batista e oferecida aos demais estudantes de PIBID de outras áreas. A ideia era recuperar a espessura tensa do conceito, em suas múltiplas vertentes e atuações, da mais conceitual àquela de uso comum, para, por fim, reconstruir o conceito, “ideologia”, como algo vivo, complexo, ativo. Trata-se, evidentemente, de uma reinterpretação da oficina de conceito proposta por Gallo. (BISOL, MENDES, 2017)

 

Em seguida, o artigo comenta a oficina que o PIBID FIL UnB produziu, em colaboração com as autoras, para a 45a Semana de Filosofia sobre a Reforma protestante, “Mulheres e religião”, com os participantes da escola do Paranoá.

Para quem quiser ler o relato completo das oficinas:

BISOL, Benedetta; MENDES, Gigliola. “Mulheres, mestres de tolerância?” Anotações sobre o papel da filosofia na formação e sobre a prática filosófica coletiva”. In: Pólemos, vol 6, n. 11, jan-jul 2017.

http://periodicos.unb.br/index.php/polemos/article/view/27206/19216

 

 

 

 

 

 

 

 

Relato de uma experiência

 

 

As oficinas “A quem pertence a cidade?” são parte de um projeto de extensão dos Departamentos de Filosofia e Artes e do Decanato de graduação (edital DEG 11/2017). Esse projeto iniciou-se em parceria com o PIBID FIL e, em seguida, como o projeto de iniciação à docência está em sua fase final, tornou-se autônomo.

 

As oficinas experimentais que aqui narramos ocorreram dentro da programação da IV Jornada de Filosofia Política – Pensar a cidade, organizada pelos docentes Maria Cecília Pedreira de Almeida, Gilberto Tedéia, Marcelo Mari e Alex Calheiros. Gostaríamos de agradecer à organização pela possibilidade de participar.

 

Vale lembrar também que o modelo da oficina deve-se a uma “metaoficina” oferecida por Benedetta Bisol e Gigliola Mendes em reunião do PIBID, no primeiro semestre de 2017, dentro da formulação do projeto de extensão citado. Fundamental para a elaboração da oficina foi também a palestra do arquiteto Maurício Goulart e do historiador Thiago Perpétuo, ambos do IPHAN, para o PIBID. A eles devemos, ainda, os trechos de Lucio Costa e da Carta de Atenas e os mapas utilizados na construção da atividades.

 

Às 9 h do dia 27 de outubro, nos reunimos no anfiteatro 19 do ICC – UnB para montar o cenário da oficina. Dividimos o espaço do anfiteatro em quatro, para comportar os grupos. Em cada um dos cantos do auditório, foi disposto, fixo no chão, um mapa do entorno de Brasília. O mapa foi retirado do Goolge e impresso na proporção 90 por 120 cm. Ou seja, pelo seu tamanho, permitiria a leitura e manipulação conjunta de vários estudantes, além de uma certa dimensão espacial. O ideal seria que fossem ainda maiores, para incentivar a perspectiva corporal de percepção do espaço, mas problemas técnicos com a plotagem precisam ser solucionados nesse sentido. Do lado de cada um dos mapas, disponibilizamos uma caixa contendo materiais de pintura, canetas, pincéis marcadores, giz pastel, revistas para recortar, cola e tesoura. Desse momento inicial de montagem da cenografia, por assim dizer, participaram os estudantes Bruno Vieira Gomes, Igor Machado, Paula Cristina Calazãens, Gabriel Vieira Alves e Diego de Souza Gomes, todos bolsistas do PIBID.

 

Os estudantes chegaram com o prof. Antônio Kubitscheck, com o coordenador do PIBID Pedro Gontijo, e com as bolsistas Vitória Nara de Freitas Paulo e Laisla Santos Barros Pereira. Eram dois ônibus de estudantes de ensino médio da escola de Taguatinga, somando por volta de 50 participantes. Ao chegarem e se acomodarem nas cadeiras do auditório, houve uma breve apresentação do PIBID e da Jornada Pensar a cidade, enquanto circulava entre os estudantes um saquinho com papeis coloridos. A ideia era dividir os grupos em cores por este sorteio, para evitar a formação de grupinhos e panelas. Os grupos se dividiram então em equipe Vermelha, aos cuidados de Gabriel e Vitória, equipe Amarela, com Igor e Bruno, equipe Verde, com Paula e Diego, equipe Azul, com a coordenadora do PIBID, Priscila, Laisla e Gigliola Mendes, membro do projeto de extensão original. Cada equipe seguiu para um dos cantos do auditório, já devidamente preparado com os mapas e materiais didáticos.

 

Cada grupo então recebeu textos norteadores. Um deles sobre a origem e significado da palavra Utopia, retirado da introdução do livro de Thomas More na edição da Martins Fontes; um trecho de entrevista de Lucio Costa sobre a utopia de Brasília, revista anos depois de sua construção, a partir da Rodoviária; as diretrizes gerais da cidade moderna da Carta de Atenas (morar, divertir-se, trabalhar, circular), e um trecho de A Cidade do Sol de Tommaso Campanella, selecionado pela bolsista Verônica Maciel. Utilizamo-nos de menos textos do que nas experiências anteriores (vide BISOL MENDES, revista Pólemos, vol. 6, n. 11, 1/2017), seguindo algumas críticas do professor Kubitscheck quanto ao excesso de mediações. Ainda assim, os textos parecem ter sido a parte mais frágil da intervenção.

 

Em seguida a esse primeiro momento de questionamentos, sugerimos pensar o mapa. Onde cada um mora? Como chegam à escola? O que é uma cidade? O que não é uma cidade? Para que serve e como funciona uma cidade? – entre outras questões pensadas em reunião anterior do PIBID. E a partir dessas perguntas sugeridas pelos monitores, os estudantes foram chamados a intervir no mapa, pensando as dimensões de morar, estudar, trabalhar e circular, com a proposta “utópica” de instigar a imaginação política de mudanças e soluções.

 

Após mais ou menos 40 minutos de debates e atividades de colagem e pintura, os grupos levaram os seus mapas para a lousa. Os quatro mapas foram dispostos lado a lado e todos os participantes acomodados nas cadeiras do auditório. Nesse momento final da oficina, os monitores chamavam então suas equipes para a frente do auditório, ao lado de seu mapa, para defenderem a sua cidade quanto às intervenções. Foi uma das partes mais estimulantes, pois os estudantes, diante de uma espécie de competição saudável entre as quatro equipes, começaram a reformular o que pensaram, explicando e mesmo revendo as propostas. A exposição dos motivos das colagens e pinturas ao público levou mesmo aqueles que tinham tomado o exercício como brincadeira à elaboração discursiva de questões e soluções. Nesse sentido, foi o momento de maior elaboração de um inventário de problemas e de trabalho conjunto de imaginário político. Faltou, talvez, uma relação entre este momento e os textos iniciais norteadores do debate.

 

Muitos problemas e soluções foram levantados: falta de escolas e de lugares de lazer, levando até à ideia jocosa da construção de uma grande praia na área de São Sebastião; redesenho geral das áreas de circulação, descentralização nuclear da cidade, em uma proposta bastante complexa de novos fluxos urbanos; problemas com segurança, transporte, a preocupação com novos centros tecnológicos, com outras fontes de energia. Surgiu brevemente mesmo a preocupação com sítios arqueológicos. Várias questões foram apresentadas e discutidas em um clima bastante animado.

 

Os estudantes seguiram então para o anfiteatro 18, em frente ao Departamento de Filosofia, e foram recebidos pela mesa do almoço preparado por Valdine Souza e Liliane Belo, secretarias do Departamento de Filosofia.

 

Bem, esse é o relato do que ocorreu,  para uma reflexão coletiva. Registramos a experiência para comentários.

 

Priscila

Apocalípticos e integrados

 

 

Com esse título, Umberto Eco, nos anos 60, ironizava as disputas entre os cultores assustados da alta cultura em derrisão e aqueles entusiastas abobalhados pela cultura de massa. Nem um lado nem outro, evidentemente, devem ser assumidos sem uma tensão dialética.

 

Os termos eruditos, popular e pop não são fronteiras estanques, fáceis de serem delimitadas.

 

Pela teoria estética, o termo pop viria, em meados dos anos 50, a designar um tipo de cultura norte americana. Tal questionamento conceitual surge e se expande a partir dos debates “eruditos” da arte, mais precisamente da chamada Pop art, cujos temas elevavam imagens vulgares da cultura das ruas – latas de sopa, atrizes de cinema ou cadeiras elétricas, tanto faz – a ícones artísticos, em uma operação às vezes críticas, às vezes irônica, ou mesmo cínica.

 

Parênteses: no Brasil, essa cultura da Pop arte teve outro influxo mais político. Muitos artistas brasileiros se apossavam de ícones pops (quadrinhos, futebol, Roberto Carlos etc), para expor um contexto de repressão. Vale a pena conhecer as “bananas” de Antonio Dias, cujos elementos cortantes sugerem tortura, os quadrinhos escuros de Marcelo Nitsche e Claudio Tozzi etc.

 

Ou seja, há uma construção teórica que podemos estudar para dar mais peso a reflexões sobre o que seria o pop, sem cair na armadilha dos integrados que apenas se encantam com o já encantador mundo encantado da cultura de massa. Desse modo, só encontramos o que foi posto lá para que encontrássemos…Jorge Coli, historiador da Unicamp, certa vez escreveu que as obras de cultura de massa só atingem um grau de significação complexa – o que as tornaria algo que chamamos arte –por um feliz acordo de partes, quase à revelia de seus ditames, pois não foram criadas pelo mercado para essa função. Ao contrário, geralmente o mercado tende à simplificação, à estandardização. E claro que muitos objetos de cultura de massa atingem esse grau complexo de significações…mas eles não deixam de ser, ainda e antes de tudo, mercadorias. O que também pode valer, evidentemente, para o que chamamos de erudito, ou mesmo popular. Esse é um tema central da Estética contemporânea.

 

Sugestões de leitura: o famoso ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, de Benjamin, nas suas várias versões publicadas pela L&PM. Em uma das versões, Benjamin tenta pensar o conteúdo catártico – e, talvez, emancipatório – de figuras como o Mickey Mouse. Tese duramente criticada por Adorno. O volume da L&PM traz parte das cartas entre Adorno e Benjamin nas quais se desdobra a polêmica.

 

Outras sugestões, menos canônicas, seriam os textos do filósofo contemporâneo norte americano Arthur Danto, como o livro Andy Warhol, publicado pela Cosac Naify. Nesse livro, que me incomodou e irritou bastante quando li, o autor encontra na iconofilia pop um certo sucedâneo do ícone católico, expondo um laço inusitado entre capitalismo e religião, que ele, entretanto, não problematiza. Há um artigo do mesmo autor sobre Warhol disponível on line no Scielo, para quem quiser dar uma olhada, o título é significativo O filósofo como Andy Warhol

 

Outro texto que também me incomodou muito quando li foi o romance de Umberto Eco, A Misteriosa chama da rainha Loana. A tal rainha é uma personagem de história em quadrinho clássica, não me lembro se de Flash Gordon ou Mandrake, e o texto trata de um homem que, ao ver-se privado de memória, tenta resgatar seu passado por meio da cultura pop de sua infância, mostrando como esse tipo de produto cria uma memória coletiva.

 

E, não deixa de ser importante lembrar, há uma forte imposição cultural nesses produtos, que nunca deve ser menosprezada, o que nos leva a citar um texto brasileiro da Laerte, o livro Laertevisão, no qual a cartunista revê sua infância ligada ao imaginário televisivo. O livro é todo em quadrinhos. Muito legal para quem gosta de cartum…Laerte faz parte da ‘memória coletiva’ da minha geração…

Sugestões para nossos debates do próximo semestre…

 

Boas férias

Priscila

Práticas pedagógicas – o que é, como se faz?

O currículo de Filosofia licenciatura da UnB foi pensado para integrar pesquisa acadêmica e prática pedagógica. Nesse sentido, todas as disciplinas obrigatórias possuem uma parte de dois créditos “práticos”, não necessariamente presenciais, cuja função seria pensar atividades docentes relacionadas aos conteúdos específicos.

 

No caso da disciplina Epistemologia, localizada no terceiro semestre do curso, a atividade proposta foi criar um plano de aula (ou planos de aulas encadeados) sobre o conteúdo inicial da Teoria do conhecimento: a relação entre senso comum e pensamento científico/filosófico. Para isso, propusemos aos estudantes avaliar como tópicos correlatos a esse assunto são tratados em diversos livros didáticos. E, nesse movimento, pesquisamos vários livros didáticos .

 

A turma foi dividida em grupos, doze ao todo. A proposta de ser um trabalho em grupo expôs uma dificuldade imensa de agrupar estudantes, muitos fizeram individualmente a tarefa, o que diminuiu a possibilidade de debates internos ao tema.

 

Dos trabalhos apresentados, fizemos um quadro geral de críticas a cada um dos livros. As críticas mostram exatamente os desafios de se pensar um material didático: por um lado, a linguagem precisa ser adequada, mas, por outro, não pode cair no esquematismo. Se a diagramação deve ser interessante e atual, não pode incentivar a distração. O quadro comparativo põe em tela esses desafios, sem ser conclusivo. Trata-se das impressões dos grupos, que divulgo com o intuito de incentivar o debate não apenas dos materiais didáticos, mas também das práticas pedagógicas.

 

Priscila Rufinoni

 

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