Filosofia e Educação Integral: uma articulação necessária.

Por Kelvlin Ferreira Medeiros¹

               Confesso que esse texto é muito mais para externar minha indignação do que propriamente para iniciar um debate qualificado sobre a temática, mas acredito que a iniciativa é válida, visto que a situação na qual a Filosofia encontra-se não é nada favorável ao seu desenvolvimento e sua sobrevivência no ensino médio – e, acredito, também no ensino superior. A última notícia “de grande mídia” que tivemos foi a de que ela seria “diluída” no ensino médio (http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,filosofia-e-sociologia-serao-diluidas-no-ensino-medio-decide-camara,10000094377). Pois bem… Dada à nossa compulsória sujeição aos marcos legais, acredito que estejamos numa corda bamba… Mas, de todo modo, proponho uma rápida reflexão sobre a “educação integral” e de como, sob minha perspectiva, ela teria que, necessariamente, contar com o apoio da filosofia enquanto disciplina no ensino médio.

                De acordo com o Centro de Referências em Educação Integral, a educação integral é “uma concepção que compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e cultural (…)”. Nesse sentido, parece que a educação escolar chama para si a responsabilidade para fornecer os elementos necessários para esse desenvolvimento multidimensional. Isso, por sua vez, reivindica um maior diálogo entre a escola, os alunos e a sociedade de uma maneira geral. Tentando não fugir do objetivo do texto, não esgotarei (até porque não conseguiria) todas as dimensões com as quais a educação escolar se comprometeu, priorizando, desta forma, apenas o tratamento um tanto quanto rápido de uma formação humanitária, histórica e científica.

                Partindo do pressuposto de que a escola é o espaço-tempo destinado à aprendizagem daquilo que é “básico” para a “vida contemporânea”, é necessário que ela inicie, desenvolva e estimule a autonomia intelectual de seus alunos em todos os âmbitos do saber. De acordo com a LDB, (i) as linguagens; (ii) matemática; (iii) ciências da natureza; (iv) ciências humanas e a (v) formação técnica e profissional compõem, portanto, os eixos temáticos minimamente necessários para a educação. Não pretendo polemizar aqui com o papel e a importância da educação técnica e profissional, pois acredito que ela tenha sim seu lugar na formação do ser humano. Todavia, quero chamar atenção para o fato de que a educação chamou para si a responsabilidade de uma educação integral e, por este motivo, deve atentar-se e preparar-se para fornecer os elementos necessários para o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões.

                Para além da polêmica sobre o estatuto da filosofia – se é ou não uma “ciência humana” –, acredito que, enquanto pesquisador e futuro profissional da educação, é meu dever chamar atenção para o fato de que, com essa “diluição”, a educação escolar está simplesmente negligenciando aquilo com o que ela se comprometeu. Se entendemos que é necessário, para o desenvolvimento intelectual e para a construção de um conhecimento integrado – não apenas um trânsito entre as diversas áreas do saber, mas também um conhecimento que procure um diálogo e tente estabelecer uma unidade entre as diversas abordagens –  a filosofia certamente faz parte das ferramentas que podemos utilizar para construir esse conhecimento. Nesse sentido, “diluir” a filosofia no ensino médio é, no mínimo, negligenciar o seu potencial de análise e, em última instância, negar ao ser humano o contato com mais essa área do saber. Portanto, acredito que seja necessário garantir mais esse espaço, com o qual possamos ter um contato mais cuidadoso e paciente com a filosofia. Este é o único modo, acredito, de dar à filosofia a importância que lhe é devida – e, também, de propiciar um trabalho minimamente satisfatório, que permita apresentar, explorar e vivenciar a especificidade com a qual a filosofia trata os mais diversos temas.

                Por isto, acredito que a filosofia deva continuar no ensino médio enquanto uma disciplina. Somente desta forma os dispositivos legais adquiririam uma coerência e assumiriam, de fato, a responsabilidade que imputaram à educação escolar, a saber, a de uma educação integral.

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¹Bacharel e licenciado em filosofia pela Universidade de Brasília. Mestrando em Metafísica por esta mesma universidade. Ex-bolsista do PIBID/Fil-UnB.

Abordagem CT&S no ensino de filosofia da ciência: potencialidades e possibilidades

Muito se fala em abordagens temáticas no ensino de filosofia, mas ainda pouco se estuda em possibilidades de aplicação concreta desta metodologia no ensino de filosofia. Recentemente tenho estado envolvida com estudos na área de CT&S (Ciência, Tecnologia e Sociedade), que nada mais é do que o estudo das relações entre desenvolvimento e produção científicas e sociedade, num viés que considere as interfaces entre desenvolvimento da ciência e da tecnologia as mais diversas transformações na sociedade contemporânea, refletindo em mudanças nos níveis econômico, político e social. Para elucidar melhor esta perspectiva cito:

É comum considerarmos ciência e tecnologia motores do progresso que proporcionam não só desenvolvimento do saber humano, mas, também, uma evolução real para o homem. Vistas dessa forma, subentende-se que ambas trarão somente benefícios à humanidade. Porém, pode ser perigoso confiar excessivamente na ciência e na tecnologia, pois isso supõe um distanciamento de ambas em relação às questões com as quais se envolvem. As finalidades e interesses sociais, políticos, militares e econômicos que resultam no impulso dos usos de novas tecnologias implicam enormes riscos, porquanto o desenvolvimento científico-tecnológico e seus produtos não são independentes de seus interesses. Reforçando esses comentários, Bazzo (1998, p. 142) destaca que:
É inegável a contribuição que a ciência e a tecnologia trouxeram nos últimos anos. Porém, apesar desta constatação, não podemos confiar excessivamente nelas, tornando-nos cegos pelo conforto que nos proporcionam cotidianamente seus aparatos e dispositivos técnicos. Isso pode resultar perigoso porque, nesta anestesia que o deslumbramento da modernidade tecnológica nos oferece, podemos nos esquecer que a ciência e a tecnologia incorporam questões sociais, éticas e políticas.

Ao meu ver, esta abordagem, que durante minha graduação teve pouca visibilidade(1) possibilita a contextualização de conteúdos de filosofia da ciência presentes no currículo da Secretaria de Educação do Distrito Federal e nas Orientações Curriculares Nacionais, sendo uma ótima oportunidade para tratar as relações entre ciência e sociedade, algo que por muitas vezes é negligenciado e trabalhado de forma desconexa, dando ao aluno a nítida impressão de que sociedade e ciência são mundos que correm de forma paralela, regidos por diferentes regras, cisão inclusive sugestionada pela própria estrturação curricular em disciplinas e na dificuldade frequente entre porfessores de fazer trabalhos inter e transdisciplinares.

Defendo que este mito acerca não só da dificuldade enfrentada pelos alunos em disciplinas de ciências da natureza e matemática pode ser amortizada com o que está correntemente se chamando de alfabetização e letramento científico e tecnológico, encarado como definem Eller e Ventura (2):

Se “alfabetização” é o processo de “aquisição do sistema de codificação de fonemas e decodificação de grafemas, apropriação do sistema alfabético e ortográfico da língua” (SOARES, 1998), então a alfabetização científica pode ser entendida como a compreensão da estrutura básica de funcionamento das ciências, o que engloba, segundo MILLER (apud SABATTINI, 2004), a aquisição de vocabulário básico de conceitos científicos, uma compreensão da natureza do método científico e do impacto da ciência e da tecnologia sobre os indivíduos e sobre a sociedade.

Desta forma o maior aliado do professor, inclusive e principalmente de filosofia, onde a ponte entre ciências humanas e exatas costuma ser mais evidente (3) , será a divulgação científica, ou seja, a participação ativa do cidadão no amplo e dinâmico processo cultural de inserção da C&T no cotidiano pra que, assim como a poesia, arte e ficção, possa integrar o imaginário social e simbólico de nossa realidade e sonhos, multiplicando em nossa existência única, e provisória, a infinitude de vidas e vivências que vivemos sem jamais tê-las vivido, como ensina Vogt (4).

Materiais de divulgação científica indicados:

http://www.youtube.com/watch?v=NfhVnDDWcro – História das Coisas, vídeo que faz convergir discussões científicas, ambientais, economicas e sócio-históricas e culturais.
http://www.youtube.com/watch?v=gU2QWnHbISs – Série Cosmos, remake da série apresentada por Carl Sagan, aborda de forma acessível os principais conceitos de astronomia, biologia, física entre outros.

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(1) Inclusive pelas prórprias dificuldades encontradas no meio universitário e acadêmico em proporcionar uma formação docente com a característica interdisciplinar e com estímulos menos sutis que a mera possibilidade da experiência universitária como se dá na maioria das universidades federais, onde há a possibilidade de cursar as mais diversas disciplinas oferecidas pelos diferentes departamentos que compõem a universidade ao corpo discente. Defendo que este assunto seja mais delicado por ser anterior à pratica escolar, nesse sentido, um problema da formação docente em nosso país, muitas vezes condicionada pela exigência crescente de especialização.

(2) Em: http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/vienpec/CR2/p20.pdf (acesso em março/2014)

(3) Embora reconheça que este trabalho é muito mais fruto de uma boa coordenação pedagógica, reconheço que este espaço é mais raro em outros componentes curriculares e entendo que esta atribuição exagerada de obrigações à filosofia (à exemplo da prórpia formação cidadã, reincidente nas expectativas formativas da educação básica) é ilusória, equivocada e deve ser veementemente combatida.
(4) Em: http://www.comciencia.br/reportagens/cultura/cultura01.shtml (acesso em março/2014)

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Loryne Viana é ex-bolsista do PBID-FIL, atualmente, é Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Brasília, tendo tido experiência também no ensino de filosofia no contexto do ensino médio tradicional na Secretaria de Educação do DF. (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4402351Z4)

A minha escola ideal

Durante uma reunião do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), entramos em uma discussão absurdamente interessante acerca do que consideraríamos uma escola ideal. Em minha fala destaquei o seguinte ponto: “para ter-se uma escola ideal, deve-se ter um aluno ideal”, o que foi falho de minha parte, pois, na realidade, é a escola ideal que deve preparar o aluno ideal.    E, agora, vamos ao ponto em questão (que propus levantar na discussão): quais seriam as características que a escola ideal deveria estimular no aluno ideal? A minha primeira resposta à referida questão foi: a visão crítica da realidade.

Por visão crítica da realidade entendo uma maneira de enxergar as ideologias e subjetividades por detrás de todos os aspectos do mundo onde vivemos. Como foi brilhantemente levantado durante a discussão, a escola é uma instituição estatal, coisa que definitivamente não podemos perder de vista ao se falar na mesma e, enquanto instituição estatal (e de acordo com os parâmetros curriculares nacionais), esta tem como dever formar futuros cidadãos responsáveis (ou, ao menos em tese, esta seria uma das ou senão a principal preocupação da escola). Diante disto, a postura crítica é de extrema importância para a formação de um verdadeiro cidadão. A postura crítica permite, além de uma leitura correta de como as coisas realmente são, enxergar problemas e, possivelmente, encontrar soluções que, sem a referida leitura, não seria sequer imagináveis.

O papel da postura crítica é, mesmo que seja vista de uma maneira negativa (de podar o querer do homem), ser útil para a vida do sujeito enquanto cidadão. Criticar algumas posições ou resoluções dadas de maneira fundamentada e sistemática pode ser o pontapé inicial para a resolução de um problema encontrado no posicionamento tomado. Assim como Kant defendeu a necessidade de uma crítica para que a Metafísica encontrasse e seguisse o caminho seguro da ciência, ou seja, defendo a necessidade da postura crítica, afirmo sua necessidade, já que é algo imprescindível para que se encontre e se siga o caminho seguro rumo à reflexões e atitudes bem tomadas em sua vida não apenas enquanto cidadão, mas em todos os aspectos de sua vida enquanto humano. E reitero afirmando: uma vez tomada a decisão sobre a aquisição, buscado os meios necessários de se adquirir e ver seus benefícios (embora se tenha no desenrolar da aquisição da referida visão algumas dificuldades a serem superadas), dificilmente uma pessoa a abandonaria a assim denominada “visão crítica da realidade”.

Em suma, a escola ideal, enquanto instituição estatal, deveria formar sujeitos plenamente capazes de agir como verdadeiros cidadãos e, para tanto, a visão crítica da realidade é algo que julgo imprescindível para se agir como um verdadeiro cidadão, visto que o próprio termo “cidadão” necessita de uma crítica para ter, de fato, um significado relevante e isto é algo que só pode ser feito por alguém que já tenha tomado a referida postura.

Feito isto, termino o texto com uma questão: quais seriam os meios necessários (ou os melhores) para se ensinar um método para se alcançar a visão crítica da realidade?

 

Kelvlin Ferreira Medeiros

Comentário sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares para o ensino de Filosofia.

Ao fazer uma leitura sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares¹ para Filosofia no Distrito Federal, nota-se como ponto comum: a ênfase dada ao papel da interdisciplinaridade no ensino de Filosofia (para demonstrar seus desdobramentos), tendo a Filosofia como um dos principais pilares formadores da assim chamada cidadania plena.

Para explicitar um pouco mais sobre o assunto e tornar estes pontos mais claros, necessitamos de uma pequena digressão da história. Como sabemos, a palavra ‘Filosofia’ é oriunda do grego, que é a junção de duas palavras: Filos, o amor e Sophia, a sabedoria. Juntando as duas palavras tem-se Filosofia, o amor à sabedoria. Sendo a Filosofia um domínio da reflexão racional criada pela admiração do homem ante ao mundo, dela derivou-se todos os demais domínios da reflexão racional que hoje são conhecidos como ciências e delimitou-se, dessa maneira, a distinção entre estes.

A Filosofia não pode e nem deve ser tratada como ciência, caso que é tratado e exposto nas diretrizes e nos parâmetros. Na Filosofia, discutimos questões iniciais, das quais caso não tivéssemos certeza (por exemplo, o homem pode conhecer ao menos as coisas enquanto fenômenos, ou seja, como elas aparecem) sequer teria sentido a reflexão científica (como, por exemplo, acontece com a Filosofia Natural – Física – após os argumentos de David Hume), pois saberíamos de antemão que isto seria inútil, ou seja, que não faz sentido investigar a natureza, pois a razão humana não está provida das faculdades necessárias para poder apreendê-la. Se sabemos que nós, seres humanos, somos capazes – de fato – de apreender a realidade e a partir dela formular juízos verdadeiros e/ou corretos, isso se deu através da Filosofia (que, caso não tenha dado um ponto final na questão, ao menos deu o pontapé inicial). E, a partir deste ponto, chegamos a outro ponto crucial levantado nos respectivos textos, a utilidade.

Venho aqui falar sobre a utilidade da Filosofia, tentando jogar no mesmo campo onde aqueles que dizem que a Filosofia não a possui. Sim, posso dizer que isto é uma apologia à Filosofia. A referida utilidade não está tão longe assim de nós. Creio que o maior presente dado a nós pela Filosofia é o que denomino por atitude crítica, ou seja, o novo método que nos é dado através do exemplo histórico que nos leva a criticar e expor todos os pontos fracos, limites e possibilidades dos nossos conhecimentos e dogmas, trazendo ao nosso intelecto o saber mais refinado possível. A atitude crítica é o ponto principal que desejo levantar nesse texto, pois com o auxílio dela que podemos assim exercer a finalidade proposta pelos Parâmetros, o exercício da cidadania plena.

Entendo por cidadania não apenas ser integrante de um determinado corpo social, constituído como Cidade/Estado/País, mas sim participar ativamente deste. Ao dizer participar ativamente, não é apenas, no nosso caso, cumprir com nossas obrigações eleitorais e militares quando necessário, mas, além disso, participar ativamente destes processos, questionando-se, por exemplo, a respeito de sua obrigatoriedade; se o descumprimento desta ou daquela responsabilidade te torna mais ou menos cidadão; se é, de fato, necessário a aplicação determinadas regras; acompanhando o trabalho daqueles que elegemos para nos representar perante o maquinário estatal e muitas outras coisas.

A Filosofia não tem apenas essa utilidade, mas serve para instigar, em nós, algo que já é nosso por natureza, pois, caso isso não o fosse, o filosofar jamais teria se iniciado. Sabemos que lecionar Filosofia não é uma tarefa fácil, que demanda tempo e um alto grau de compreensão para que, de fato, seja compreendida, mas também sabemos que as raízes do ensino são amargas, mas seus frutos são doces.

Kelvlin Ferreira Medeiros.

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¹ O arquivo citado e analisado no texto (currículo básico de ensino no Distrito Federal) não foi o mesmo que está disposto no link.

Processo Seletivo para Bolsistas PIDIB – Fil

Edital PIBID-UnB 002/2011

Seleção de Bolsistas de Graduação do Curso de Licenciatura em Filosofia.

Alunos do Curso de Licenciatura em Filosofia interessados em atuar como bolsistas do PIBID no ano de 2012/2013 deverão preencher Ficha de Inscrição, anexar comprovante que possuem conta-corrente e histórico escolar*. Entregar tudo na secretaria do departamento.

Período de inscrição: 12 e 13 de Dezembro de 2011.

Horário: horários de funcionamento da secretaria

Nº de vagas: 02 (duas)

Critérios para a inscrição:

  • ser aluno regular do Curso de Licenciatura em Filosofia/UnB;
  • estar cursando entre o primeiro e sexto semestre;
  • ser brasileira(o) ou possuir visto permanente no País e estar em dia com as obrigações eleitorais;
  • não dispor de nenhum outro tipo de bolsa;
  • ter disponibilidade de 14 horas semanais para atuar na UnB e na escola CEM 02 do Gama (ou eventualmente CED 02 de Sobradinho).

Critérios de seleção:

  • análise dos históricos escolar e do período;
  • entrevista (agendada) se necessário.

Divulgação dos resultados e convocação:

  • 12 e 13/12 – inscrição da secretaria do departamento de filosofia;
  • 14/12 – análise dos documentos e divulgação dos convocados para entrevistas, caso seja necessário;
  • 16/12 – Entrevistas – serão convocados um máximo de 06 candidatos para entrevistas.
  • 19/12 – divulgação do resultado final.

01/02/2012 (início de Fevereiro) – Início das atividades.

*é necessário que o candidato tenha conta corrente como titular e entregue o comprovante que poderá ser cópia de cheque ou cópia de extrato bancário. Pode ser conta corrente em qualquer banco.

Obs.:1 – O projeto prevê duração até Maio de 2013.  Os selecionados, no período em que estiverem vinculados ao projeto receberão uma bolsa de R$ 400,00.

2 – Os candidatos não selecionados, poderão, a critério da coordenação do programa, formar uma lista de reserva, com possibilidade de serem convocados em caso de desistência de bolsistas.

Prof. Pedro Gontijo

Coordenador Sub-Programa PIBID/Filosofia

Filosofia e Becos sem saída: Esboçando Alternativas

Muitos de nós, envolvidos com prática docente em filosofia, já deve ter percebido que com freqüência tomam lugar na aula de filosofia acalorados debates sobre questões polêmicas. Até faz parte de uma das gastas imagens de filosofia que encontramos na escola: é aquela área em que não há consenso. Pode ser verdade que na filosofia temos muitas disputas, mas isso também é verdade para a maioria das áreas do conhecimento tidas como sólidas, como a física, a matemática, entre outras… Outra questão é porque aspectos morais sempre encontram uma forma de entrar nos debates de filosofia que ocorrem na sala de aula.

Como, por exemplo, tratar o tema do aborto, da morte, da legalização das drogas, da existência de deus, da homossexualidade sem causar comoção tão forte que polarize a discussão entre certo e errado? Estes assuntos rondam as prática docentes principalmente pelo caráter afetivo do ambiente escolar, que lida com o intervalo de emoções entre a obrigatoriedade da presença na escola e ao mesmo tempo com uma dinâmica de relações intensas e a longo prazo. Muitas vezes é durante a adolescência um período em que não só os adolescentes se embrenham numa busca pela auto-afirmarção, como também estão fragilizados pela imposição das responsabilidades da vida adulta.

A subjetividades de experiências cujo encontro se dá na sala de aula deixa entrar também preconceitos de todos os tipos. Cabe ao docente saber lidar com eles para que possa cumprir seu papel de proteger aquele espaço público, a sala de aula, de qualquer tipo de violência, conseguindo assim contornar as situações como agente público que é, seja atuante em escola privada, seja em escola pública.Escola que, diga-se de passagem, também tem um caráter institucional que por sua vez também carrega preceitos similares de proteção e não-violência.

O professor tem a obrigação de intervir para reverter a situação ou pelo menos problematizar falas preconceituosas. Mas sair do ciclo vicioso que se forma quando estes assuntos vêm à tona é difícil. Difícil e delicado. O procedimento adequado será aquele que chamar à luz do debate a separação entre crenças que sustentamos indiscriminadamente e a dinâmica de argumentos sustentáveis. O professor deve, nesse sentido, lembrar aos alunos que o ponto da discussão é mais sutil: não é uma mera opinião que se deve expressar, mas sim, pensar como nossos argumentos e opiniões podem se confrontar, ser proferidos, e sustentar-se contra outros argumentos de forma válida. Afinal, acredito que a maioria de nós esteja disposto a concordar quanto digo que filosofia não é questão de opinião.

Entretanto, esse exercício é difícil, tanto professor deve estar preparado para lidar com isso quanto sua formação deve lhe oferecer minimamente preparo para tal, é sobretudo para um grupo de alunos que não tenha sido minimamente treinado para tal. Não é um “treino” leviano de deixar para traz crenças, constitutivas de nossa experiência e subjetividade, mas sim de lembrar-se em que consiste a prática filosófica. Esta prática comunicativa, que deve despir pessoas de meras opiniões deve ser exercitada gradualmente, de discussões menos polêmicas, nas quais seja mais fácil conduzir um debate sem tocar pontos inflamáveis, e paulatinamente a turma compreenderá o modo pelo qual a filosofia opera, alcançando minimamente um ambiente de discussão não polarizada, que possa ser livre para ser crítica, inclusive consigo mesma.

Por: Loryne Viana