Relato de experiências II

Para deixar registrado também outros eventos em que trabalhamos com formas inusitadas de exposição (modelos de oficinas), cito o texto de Benedetta Bisol e Gigliola Mendes:

Sobretudo o trabalho de [Silvio] Gallo já tinha sido utilizado como base teórica em outras oficinas desenhadas por Priscila Rufinoni e Pedro Gontijo para o seminário do PIBID UnB, em 2016, quando elaborou-se conjuntamente com os estudantes uma oficina sobre a noção de Ideologia, na qual o conceito (ou conceitos) de ideologia foram apresentados a partir de uma coletânea de materiais diversos tais como textos filosóficos conflitantes (textos de autores políticos, como Michael Löwy, de autores da teoria da ciência, como Rudolf Carnap), tirinhas e cartuns da mídia cotidiana, textos sobre a Escola sem partido, letras de música etc. A abertura da oficina, interpretando a etapa de sensibilização proposta por Gallo, foi um vídeo produzido pela aluna Michelly Teixeira, com colagens de cenas sobre os vários eixos em que a ideologia se manifesta, como a política, a ciência, a etnia, o gênero, a educação e a violência social, eixos anteriormente discutidos em grupo com os estudantes. Mas o vídeo foi apresentado sem, entretanto, explicitar a relação entre as imagens, os eixos temáticos e o conceito central norteador. Também como elemento sensibilizador, expusemos cartazes com títulos de livros, feitos pelas estudantes Maria Clara R. Rocha e Iasmin Leiros S. da Silva. Por fim, a oficina foi conduzida pelas alunas Paula Calazães, Nájila Mota e Núbia Nunes Batista e oferecida aos demais estudantes de PIBID de outras áreas. A ideia era recuperar a espessura tensa do conceito, em suas múltiplas vertentes e atuações, da mais conceitual àquela de uso comum, para, por fim, reconstruir o conceito, “ideologia”, como algo vivo, complexo, ativo. Trata-se, evidentemente, de uma reinterpretação da oficina de conceito proposta por Gallo. (BISOL, MENDES, 2017)

 

Em seguida, o artigo comenta a oficina que o PIBID FIL UnB produziu, em colaboração com as autoras, para a 45a Semana de Filosofia sobre a Reforma protestante, “Mulheres e religião”, com os participantes da escola do Paranoá.

Para quem quiser ler o relato completo das oficinas:

BISOL, Benedetta; MENDES, Gigliola. “Mulheres, mestres de tolerância?” Anotações sobre o papel da filosofia na formação e sobre a prática filosófica coletiva”. In: Pólemos, vol 6, n. 11, jan-jul 2017.

http://periodicos.unb.br/index.php/polemos/article/view/27206/19216

 

 

 

 

 

 

 

 

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Relato de uma experiência

 

 

As oficinas “A quem pertence a cidade?” são parte de um projeto de extensão dos Departamentos de Filosofia e Artes e do Decanato de graduação (edital DEG 11/2017). Esse projeto iniciou-se em parceria com o PIBID FIL e, em seguida, como o projeto de iniciação à docência está em sua fase final, tornou-se autônomo.

 

As oficinas experimentais que aqui narramos ocorreram dentro da programação da IV Jornada de Filosofia Política – Pensar a cidade, organizada pelos docentes Maria Cecília Pedreira de Almeida, Gilberto Tedéia, Marcelo Mari e Alex Calheiros. Gostaríamos de agradecer à organização pela possibilidade de participar.

 

Vale lembrar também que o modelo da oficina deve-se a uma “metaoficina” oferecida por Benedetta Bisol e Gigliola Mendes em reunião do PIBID, no primeiro semestre de 2017, dentro da formulação do projeto de extensão citado. Fundamental para a elaboração da oficina foi também a palestra do arquiteto Maurício Goulart e do historiador Thiago Perpétuo, ambos do IPHAN, para o PIBID. A eles devemos, ainda, os trechos de Lucio Costa e da Carta de Atenas e os mapas utilizados na construção da atividades.

 

Às 9 h do dia 27 de outubro, nos reunimos no anfiteatro 19 do ICC – UnB para montar o cenário da oficina. Dividimos o espaço do anfiteatro em quatro, para comportar os grupos. Em cada um dos cantos do auditório, foi disposto, fixo no chão, um mapa do entorno de Brasília. O mapa foi retirado do Goolge e impresso na proporção 90 por 120 cm. Ou seja, pelo seu tamanho, permitiria a leitura e manipulação conjunta de vários estudantes, além de uma certa dimensão espacial. O ideal seria que fossem ainda maiores, para incentivar a perspectiva corporal de percepção do espaço, mas problemas técnicos com a plotagem precisam ser solucionados nesse sentido. Do lado de cada um dos mapas, disponibilizamos uma caixa contendo materiais de pintura, canetas, pincéis marcadores, giz pastel, revistas para recortar, cola e tesoura. Desse momento inicial de montagem da cenografia, por assim dizer, participaram os estudantes Bruno Vieira Gomes, Igor Machado, Paula Cristina Calazãens, Gabriel Vieira Alves e Diego de Souza Gomes, todos bolsistas do PIBID.

 

Os estudantes chegaram com o prof. Antônio Kubitscheck, com o coordenador do PIBID Pedro Gontijo, e com as bolsistas Vitória Nara de Freitas Paulo e Laisla Santos Barros Pereira. Eram dois ônibus de estudantes de ensino médio da escola de Taguatinga, somando por volta de 50 participantes. Ao chegarem e se acomodarem nas cadeiras do auditório, houve uma breve apresentação do PIBID e da Jornada Pensar a cidade, enquanto circulava entre os estudantes um saquinho com papeis coloridos. A ideia era dividir os grupos em cores por este sorteio, para evitar a formação de grupinhos e panelas. Os grupos se dividiram então em equipe Vermelha, aos cuidados de Gabriel e Vitória, equipe Amarela, com Igor e Bruno, equipe Verde, com Paula e Diego, equipe Azul, com a coordenadora do PIBID, Priscila, Laisla e Gigliola Mendes, membro do projeto de extensão original. Cada equipe seguiu para um dos cantos do auditório, já devidamente preparado com os mapas e materiais didáticos.

 

Cada grupo então recebeu textos norteadores. Um deles sobre a origem e significado da palavra Utopia, retirado da introdução do livro de Thomas More na edição da Martins Fontes; um trecho de entrevista de Lucio Costa sobre a utopia de Brasília, revista anos depois de sua construção, a partir da Rodoviária; as diretrizes gerais da cidade moderna da Carta de Atenas (morar, divertir-se, trabalhar, circular), e um trecho de A Cidade do Sol de Tommaso Campanella, selecionado pela bolsista Verônica Maciel. Utilizamo-nos de menos textos do que nas experiências anteriores (vide BISOL MENDES, revista Pólemos, vol. 6, n. 11, 1/2017), seguindo algumas críticas do professor Kubitscheck quanto ao excesso de mediações. Ainda assim, os textos parecem ter sido a parte mais frágil da intervenção.

 

Em seguida a esse primeiro momento de questionamentos, sugerimos pensar o mapa. Onde cada um mora? Como chegam à escola? O que é uma cidade? O que não é uma cidade? Para que serve e como funciona uma cidade? – entre outras questões pensadas em reunião anterior do PIBID. E a partir dessas perguntas sugeridas pelos monitores, os estudantes foram chamados a intervir no mapa, pensando as dimensões de morar, estudar, trabalhar e circular, com a proposta “utópica” de instigar a imaginação política de mudanças e soluções.

 

Após mais ou menos 40 minutos de debates e atividades de colagem e pintura, os grupos levaram os seus mapas para a lousa. Os quatro mapas foram dispostos lado a lado e todos os participantes acomodados nas cadeiras do auditório. Nesse momento final da oficina, os monitores chamavam então suas equipes para a frente do auditório, ao lado de seu mapa, para defenderem a sua cidade quanto às intervenções. Foi uma das partes mais estimulantes, pois os estudantes, diante de uma espécie de competição saudável entre as quatro equipes, começaram a reformular o que pensaram, explicando e mesmo revendo as propostas. A exposição dos motivos das colagens e pinturas ao público levou mesmo aqueles que tinham tomado o exercício como brincadeira à elaboração discursiva de questões e soluções. Nesse sentido, foi o momento de maior elaboração de um inventário de problemas e de trabalho conjunto de imaginário político. Faltou, talvez, uma relação entre este momento e os textos iniciais norteadores do debate.

 

Muitos problemas e soluções foram levantados: falta de escolas e de lugares de lazer, levando até à ideia jocosa da construção de uma grande praia na área de São Sebastião; redesenho geral das áreas de circulação, descentralização nuclear da cidade, em uma proposta bastante complexa de novos fluxos urbanos; problemas com segurança, transporte, a preocupação com novos centros tecnológicos, com outras fontes de energia. Surgiu brevemente mesmo a preocupação com sítios arqueológicos. Várias questões foram apresentadas e discutidas em um clima bastante animado.

 

Os estudantes seguiram então para o anfiteatro 18, em frente ao Departamento de Filosofia, e foram recebidos pela mesa do almoço preparado por Valdine Souza e Liliane Belo, secretarias do Departamento de Filosofia.

 

Bem, esse é o relato do que ocorreu,  para uma reflexão coletiva. Registramos a experiência para comentários.

 

Priscila

Apocalípticos e integrados

 

 

Com esse título, Umberto Eco, nos anos 60, ironizava as disputas entre os cultores assustados da alta cultura em derrisão e aqueles entusiastas abobalhados pela cultura de massa. Nem um lado nem outro, evidentemente, devem ser assumidos sem uma tensão dialética.

 

Os termos eruditos, popular e pop não são fronteiras estanques, fáceis de serem delimitadas.

 

Pela teoria estética, o termo pop viria, em meados dos anos 50, a designar um tipo de cultura norte americana. Tal questionamento conceitual surge e se expande a partir dos debates “eruditos” da arte, mais precisamente da chamada Pop art, cujos temas elevavam imagens vulgares da cultura das ruas – latas de sopa, atrizes de cinema ou cadeiras elétricas, tanto faz – a ícones artísticos, em uma operação às vezes críticas, às vezes irônica, ou mesmo cínica.

 

Parênteses: no Brasil, essa cultura da Pop arte teve outro influxo mais político. Muitos artistas brasileiros se apossavam de ícones pops (quadrinhos, futebol, Roberto Carlos etc), para expor um contexto de repressão. Vale a pena conhecer as “bananas” de Antonio Dias, cujos elementos cortantes sugerem tortura, os quadrinhos escuros de Marcelo Nitsche e Claudio Tozzi etc.

 

Ou seja, há uma construção teórica que podemos estudar para dar mais peso a reflexões sobre o que seria o pop, sem cair na armadilha dos integrados que apenas se encantam com o já encantador mundo encantado da cultura de massa. Desse modo, só encontramos o que foi posto lá para que encontrássemos…Jorge Coli, historiador da Unicamp, certa vez escreveu que as obras de cultura de massa só atingem um grau de significação complexa – o que as tornaria algo que chamamos arte –por um feliz acordo de partes, quase à revelia de seus ditames, pois não foram criadas pelo mercado para essa função. Ao contrário, geralmente o mercado tende à simplificação, à estandardização. E claro que muitos objetos de cultura de massa atingem esse grau complexo de significações…mas eles não deixam de ser, ainda e antes de tudo, mercadorias. O que também pode valer, evidentemente, para o que chamamos de erudito, ou mesmo popular. Esse é um tema central da Estética contemporânea.

 

Sugestões de leitura: o famoso ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, de Benjamin, nas suas várias versões publicadas pela L&PM. Em uma das versões, Benjamin tenta pensar o conteúdo catártico – e, talvez, emancipatório – de figuras como o Mickey Mouse. Tese duramente criticada por Adorno. O volume da L&PM traz parte das cartas entre Adorno e Benjamin nas quais se desdobra a polêmica.

 

Outras sugestões, menos canônicas, seriam os textos do filósofo contemporâneo norte americano Arthur Danto, como o livro Andy Warhol, publicado pela Cosac Naify. Nesse livro, que me incomodou e irritou bastante quando li, o autor encontra na iconofilia pop um certo sucedâneo do ícone católico, expondo um laço inusitado entre capitalismo e religião, que ele, entretanto, não problematiza. Há um artigo do mesmo autor sobre Warhol disponível on line no Scielo, para quem quiser dar uma olhada, o título é significativo O filósofo como Andy Warhol

 

Outro texto que também me incomodou muito quando li foi o romance de Umberto Eco, A Misteriosa chama da rainha Loana. A tal rainha é uma personagem de história em quadrinho clássica, não me lembro se de Flash Gordon ou Mandrake, e o texto trata de um homem que, ao ver-se privado de memória, tenta resgatar seu passado por meio da cultura pop de sua infância, mostrando como esse tipo de produto cria uma memória coletiva.

 

E, não deixa de ser importante lembrar, há uma forte imposição cultural nesses produtos, que nunca deve ser menosprezada, o que nos leva a citar um texto brasileiro da Laerte, o livro Laertevisão, no qual a cartunista revê sua infância ligada ao imaginário televisivo. O livro é todo em quadrinhos. Muito legal para quem gosta de cartum…Laerte faz parte da ‘memória coletiva’ da minha geração…

Sugestões para nossos debates do próximo semestre…

 

Boas férias

Priscila

Práticas pedagógicas – o que é, como se faz?

O currículo de Filosofia licenciatura da UnB foi pensado para integrar pesquisa acadêmica e prática pedagógica. Nesse sentido, todas as disciplinas obrigatórias possuem uma parte de dois créditos “práticos”, não necessariamente presenciais, cuja função seria pensar atividades docentes relacionadas aos conteúdos específicos.

 

No caso da disciplina Epistemologia, localizada no terceiro semestre do curso, a atividade proposta foi criar um plano de aula (ou planos de aulas encadeados) sobre o conteúdo inicial da Teoria do conhecimento: a relação entre senso comum e pensamento científico/filosófico. Para isso, propusemos aos estudantes avaliar como tópicos correlatos a esse assunto são tratados em diversos livros didáticos. E, nesse movimento, pesquisamos vários livros didáticos .

 

A turma foi dividida em grupos, doze ao todo. A proposta de ser um trabalho em grupo expôs uma dificuldade imensa de agrupar estudantes, muitos fizeram individualmente a tarefa, o que diminuiu a possibilidade de debates internos ao tema.

 

Dos trabalhos apresentados, fizemos um quadro geral de críticas a cada um dos livros. As críticas mostram exatamente os desafios de se pensar um material didático: por um lado, a linguagem precisa ser adequada, mas, por outro, não pode cair no esquematismo. Se a diagramação deve ser interessante e atual, não pode incentivar a distração. O quadro comparativo põe em tela esses desafios, sem ser conclusivo. Trata-se das impressões dos grupos, que divulgo com o intuito de incentivar o debate não apenas dos materiais didáticos, mas também das práticas pedagógicas.

 

Priscila Rufinoni

 

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Produções de Bolsistas do PIBID sobre Ensino de Filosofia em suas Monografias

Penso ser importante ter produções de formandos sobre Ensino de Filosofia em um curso de licenciatura em Filosofia. Formados/as que participaram do PIBID Filosofia da UnB já encararam esse desafio. Começo citando 05:

1 – Loryne Oliveira VianaCurrículo como política pública : vozes e discursos nas orientações curriculares do Distrito Federal –  http://bdm.unb.br/handle/10483/4034

2 – Kelvlin Ferreira Medeiros Pensando a avaliação sob a perspectiva da pedagogia do conceito –  http://bdm.unb.br/handle/10483/12768

3 – Alana Gabriela Vieira Alvarenga da CostaO que é de fato ser professor? : Formação docente em filosofiahttp://bdm.unb.br/handle/10483/9318

4 – Savoy Saboia e Saboia –   Identidades, colonialismo e ensino de filosofiahttp://bdm.unb.br/handle/10483/12973

5 – Lana Ellen Tavares de Sousa – Relações de gênero no Ensino de Filosofia no Ensino Médio. 2016 (link ainda não disponível no repositório da UnB)

Em Novembro… Encontro do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar em Campina Grande – Paraíba

IV Encontro GT Filosofar e Ensinar a Filosofar

INSTITUIÇÃO: Universidade Federal de Campina Grande – Campus I 
E-mail de Contato do Evento: encontrogtfilosofar@gmail.com 
Descrição Resumida: O IV Encontro do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar pretende reunir pesquisas e relatos de experiência relativos ao ensino de Filosofia articulados com os seguintes temas:
a) Política, Filosofia e Resistências
b) Gênero e Etnia
c) Educação Filosófica e Filosofia da Educação
d) Infância e Ensino Fundamental
e) Filosofia no Ensino Médio
f) Formação docente para o Ensino de Filosofia

Datas:
Período do Evento: 08 Nov 2017 – 10 Nov 2017
Período de Submissões: 07 Jun 2017 – 07 Jul 2017
Período de Inscrições: 07 Jun 2017 – 08 Nov 2017 

 

PIBID Filosofia na Pólemos

Retomo aqui uma postagem já feita no início do ano sobre participação de bolsistas do PIBID na Revista Pólemos. Ficando somente no volume 5, n. 9-10 (2016) da Revista Pólemos recordo o publicado que contou com uma participação efetiva do PIBID Filosofia

 Como afirmado no texto introdutório desse número da revista: “O quadro vivo dos alunos do Paranoá – anterior à citada capa – foi comentada pelos estudantes que o criaram como atividade do PIBID, Patrick Saldanha de Souza, Vitória Nara de Freitas Paulo, Paula Cristina Moreira Calazães, e pelo professor supervisor deles, Vinicius Silva de Souza, mestre em Filosofia pela UnB. Participaram do projeto, ainda, os estudantes de PIBID, Luciano Gonçalves de Sousa e Luan Miguel de Araújo. O estudo sobre o programa de iniciação à docência também merece uma breve apresentação histórico-crítica da atual subcoordenadora do projeto na UnB, Priscila Rossinetti Rufinoni, e uma reflexão do agora mestrando em Filosofia pela UnB, João Renato Feitosa Amorim, egresso do PIBID“.

Segue link dos textos:

Priscila Rossinetti Rufinon
Vinícius Silva de Souza, Paula C. Moreira Calazães, Patrick Saldanha, Vitória Nara de Freitas Paulo
João Renato Amorin Feitosa

E também um interessante texto fruto de grupo de estudo em política da graduação em Filosofia da UnB temos o texto da bolsista Michelly Alves Teixeira.

Michelly Alves Teixeira