Breves Considerações Acerca do Livro Didático em Sala de Aula
A discussão acerca do livro didático no ensino de filosofia é seguramente um dos tabus mais longos da docência, a validade e a pertinência de tal ferramenta parece estar ligada ao campo do ideal onde o livro oscila entre o reconhecimento de um instrumento chave no dia – dia de sala de aula e por outro lado no total desprezo pelo uso do livro didático no ensino.
Parte de minha tentativa é mostrar a pertinência do livro didático na lógica da docência, não como o centro e última alternativa do professor em relação aos conteúdos a serem expostos, mais como uma espécie de ferramenta, que se bem usada pode tornar a experiência dos alunos com a filosofia bem mais agradável, um dos argumentos mais comuns usados para rejeitar o livro didático está em sua aparente superficialidade, algo imconpatível com o ensino da filosofia, no entanto, talvez o problema não resida apenas no livro didático em si (não nego que existam livros que infelizmente são impossíveis de trabalhar devido ao grande número de erros) mais na forma como são usados, um bom exempo é o uso excessivo do livro em todas as ocasiões possiveis ( provas, trabalhos, discussões), prendendo o professor e os alunos em apenas uma visão do conteúdo, no caso a visão do autor do livro, outro problema comum é a incompletude dos conteúdos que figuram nos livros tornando o estudo individual do aluno pobre, pois sua principal referência está imconpleta.
Minha pouca experiência na docência através do PIBID me permitiu identificar em várias ocasiões a multiplicidade de atitudes que o livro didático suscita em sala de aula para o bem e para o mal, vou portanto analisar brevemente dois livros com que eu me deparei e ainda uso dentro de sala de aula, um deles é o Filosofando das autoras Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, livro com o qual eu trabalhei no ano passado no Centro de Ensino Médio 02 do Gama e que continuei a trabalhar agora no Centro de Ensino Médio 03 de Taguatinga, o outro livro eu tive acesso a pouco tempo, no entanto, eu o inseri na bibliografia de textos que uso em sala de aula por motivos que explicarei a seguir, livro este que é a Antologia de Textos Filosóficos criado pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná em parceria com diversos pesquisadores, e que foi adotado pelo Paraná como opção aos livros didáticos escolhidos pela comição do PNLD para o período 2012 – 2014.
Primeiramente o livro Filosofando, confesso que quando vi a necessidade de trabalhar com o livro didático eu me fiz todos os questionamentos que a maioria dos professores fazem em relação a sua real importância em sala de aula, a primeira questão que surgiu é que eu teria que adequar minhas aulas não apenas ao conteúdo mínimo proposto pela secretaria de educação, mais também fazer uma espécie de ginástica para trabalhar de forma equilibrada com a visão do(as) autor(es), que nem sempre é compatível a minha, tal questão não é trivial pois o aluno que se utiliza do livro para estudar em casa ou como referência para seus trabalhos acaba ficando a mercê de uma interpretação que é a do autor(es) e não propriamente dos filósofos com os quais eles têm contato em sala de aula, esse processo se não tratado de forma adequada pode causar uma reação hostil dos alunos em relação a determinados temas tratados na obra, outra questão consiste em ficar preso ao conteúdo ministrado do livro por considerá-lo a unica forma de estudo de que os alunos dispõem.
O livro foi pensado para ser usado durante os três anos do ensino médio, com uma abordagem que ocila entre o conceitual ( ética, política, etc) e a história da filosofia, um dos diferenciais do Filosofanto está na sua relação com outras disciplinas, com uma das autoras formada em artes o livro se utiliza de exemplos da história da arte para complementar as explicações dos textos, não identifiquei nenhuma associação que fosse obscura nas relações entre filosofia e arte feita pelas autoras, a interdiciplinaridade presente no livro dá a oportunidade aos alunos de identificar o alcance da filosofia em outras áreas do conhecimento.
O ponto positivo desse tipo de abordagem é que dentro do contexto de avaliações de aprendizagem como o PAS, ENEM e Provas de Vestibular é bastante usual encontrar a mesma estrutura, colocar os alunos em contato com essse tipo de abordagem permite com que eles se familiarizem precocemente com essas formas de avaliação.
Outro ponto interessante quanto ao livro é o espaço dado a autores menos conhecidos, autores que mesmo nos departamentos de filosofia são pouco estudados, como os filósofos Paul Ricoeur e Willhem Reich que têm tópicos relevantes na estrutura interna do livro, mesmo filósofos brasileiros como Newton da Costa têm espaço nos tópicos tratados.
O segundo livro é a Antologia de Textos Filosóficos da secretaria de educação do estado do Paraná, diferentemente de um livro didático tradicional a antologia se estrutura nas traduções de textos clássicos da história da filosofia, sem um texto principal estrturado em tópicos temáticos ou na história da filosofia, ao invés disso os os textos são seguidos de uma breve introdução sobre a vida e obra dos filósofos, considero a forma em que a antologia está organizada um dos pontos mais positivos do livro, pois proporciona para alunos e professores um contato maior com os escritos filósoficos, sem um texto principal acredito que o professor têm uma autonomia maior para tratar das matérias de forma que bem entender, a antologia é uma iniciativa bem vinda, pois, de forma inédita proporciona um contato maior do aluno com textos clássicos, suprindo uma deficiência das escolas públicas brasileiras que é a falta de livros de filosofia nas bibliotecas.
Para concluir gostaria de dizer que o uso do livro didático nas aulas de filosofia é sempre bem vindo, respeitando é claro a autonomia do professor quanto a forma com que os conteúdos são ministrados, didáticas o diferencial de uma boa aula reside sempre no professor, pois o contato interpessoal e a relação professor – alunos é a base para uma educação humanista e de qualidade.
Link para Antologia de Textos:http://goo.gl/3Bwo6
Ewerton Vidal Gonçalves






